26 de abr de 2019

PONTOS A PONDERAR

GOVERNO TIRA DO AR PUBLICIDADE DO BANCO DO BRASIL E DIRETOR DE MARKETING PERDE O EMPREGO

Assim, sim; mas assim, também não! Agora o ar é outro. Daqui pra frente, tudo vai ser diferente, os caras vão aprender a ser gente... 

Nesta quinta-feira, o Palácio do Planalto determinou às agências de publicidade que têm contrato com o governo federal têm que levar toda e qualquer peça publicitária ao escrutínio da Secom - Secretaria de Comunicação Social, chefiada pelo ministro Santos Cruz, o Homem Que Não Ri.

Ontem mesmo, o governo determinou que o Banco do Brasil retirasse de circulação uma campanha publicitária, cujo mote era a diversidade.

Até aqui, só os comerciais institucionais - aqueles que visam a reforçar uma determinada marca, costumavam passar pela Comunicação do Planalto. Essas peças mercadológicas, como a campanha derrubada por Bolsonaro, cuja finalidade é ampliar participação da estatal no setor, vinham sendo veiculadas ao bel prazer do proselitismo dos mandachuvas das imagens do seu governo. Sucede que agora, o governo já não é mais deles. 

Até aqui, bastava apenas que a publicidade agradasse aos bambas da instituição que a 'encomendava'. Agora o ar é outro. Os mandachuvas são outros.

A tal publicidade derrubada pelo governo era estrelada por atores e atrizes negros, outros tatuados, além de homens usando anéis e cabelos compridos. Cheia de esteriótipos, não dizia nas linhas o que nas entrelinhas queria dizer.  Bolsonaro viu e não gostou do que viu.  E decidiu que o filmete não vale a pena ver de novo. 


CAI O DIRETOR

O diretor de Comunicação e Marketing do Banco do Brasil, Delano de Andrade, foi demitido na quarta-feira. O comercial que o derrubou foi produzido pela WMcCann, uma das três agências de publicidade, escolhidas por licitação, responsáveis pela publicidade do banco. 

A turma de marquetices do BB teria autorizado o desembolso de R$ 17 milhões para divulgação das peças. No mundo da publicidade, a comissão de agenciamento é de 20% pela campanha de mídia e mais 10% pela criação do material publicitário. E assim é que assim vai a grana que sustenta o fantástico e alienante mercado das falsas necessidades.

SCRIPTUM POST - Em 1979 eu cometia a aventura de não tendo nenhuma ficha partidária, nem a favor nem contra a Arena, ser o coordenador de projetos especiais da Secom, organismo criado por Said Farah para o bem da Presidência da República.

Resultado de imagem para Campanha de incentivo de aleitamento materno, em 1980
Pela minha Coordenadoria passavam todas as campanhas de publicidade do governo. Eu dava meus palpites furados.  Eu e mais seis ou sete ''entendidos na matéria.''

No início de 80, a Secom lançou uma grande campanha de incentivo ao aleitamento materno'. Pela primeira vez então a TV mostrou um seio nu para os lares brasileiros. Era a mãe dando de mamar a seu filho. 

HONG KONG

Coisa de uma semana depois, fomos visitados por um agente publicitário de uma grande multinacional de laticínios. A empresa tinha dentre suas atrações um leite condensado que até hoje me dá água na boca. 

O agente de atendimento ofereceu para mim e para mais cinco ou seis integrantes  da Secretaria de Said Farah, uma estada de uma semana em Hong Kong, com tudo pago e diárias em libras esterlinas, onde seria realizado um Seminário Mundial sobre as delícias e as vantagens do Leite em pó e outras maravilhas derivadas do mundo hodierno de leite manipulado. 

Nas entrelinhas, ficou dito sem uma palavra a respeito, que se a gente parasse com a campanha do Programa Nacional de Incentivo ao Aleitamento Materno, os ventos soprariam sempre a favor no Planalto Central do Brasil. 

Um ano depois, a Secom foi fechada às vésperas de um feriadão natalino. Em 1981, foi criado o Programa Nacional de Incentivo ao Aleitamento Materno (PNIAM), no Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição (INAN), autarquia do Ministério da Saúde, que passou a ser o órgão responsável pelo planejamento de ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento natural no país.

Hoje, quase 40 anos depois, eu continuo sem conhecer Hong Kong.

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