9 de jul. de 2020


PONTOS A PONDERAR...
Por: Sérgio A. O. Siqueira

Porque hoje é quinta-feira / Para nós, a quarentena é uma lambança
Porque hoje é quinta-feira / pobres cães caídos do caminhão de mudança

COM O GOLPE DA PGR NA LAVA-JATO,
OUTRO PODER MAIS ALTO SE ALEVANTA

Logo, logo Augusto Aras empata em simpatia com Gilmuar, Toffoliso, Levianowski, Xandão, Big-McAuréolo, Celsinho de Tatuí e outros de somenos importância.

É que, desde que foi indicado por Bolsonaro para a Procuradoria-Geral da República da Toga da Mironga, ele balança a pança e arma lambança para fazer da PGR o centro das decisões.

A mais recente e penetrante dessas pressões totalitárias é a criação de um órgão viril que concentraria as investigações de corrupção em Brasília, chutando para escanteio organismos de comprovada eficácia como a Lava-Jato.

Mas, o golpe não fica só nessa manobra. Augusto Aras vem tirando proveito da pandemia: desde abril que toda e qualquer recomendação relacionada com a crise  - que venha desde procuradores de primeira instância a reles prefeitos e governadores têm que ser submetidas à sapiente análise do pomposo e novel   Gabinete Integrado de Acompanhamento à Epidemia do Coronavírus, do Ministério Público Federal.

E, do alto de seu notório saber, Aras explica, mas não justifica essa concentração de poder com a falácia de que cabe à PGR "resolver conflitos, e não produzi-los". Ah, que meigo.

Em junho, na condição de presidente do Conselho Nacional do Ministério Público, Aras assinou nova recomendação chutando os procuradores federais bem ali, onde suas costas perdem seu digno nome.

A singela recomendação é para que procuradores federais não questionem atos de prefeitos e governadores relacionados à pandemia se não houver “consenso científico” sobre as medidas adotadas.

A orientação é de que os atos do Executivo estadual e municipal sejam questionados pelo Ministério Público estadual, e não pelo Ministério Público Federal. Quer dizer, as unidades estaduais têm noção do que seja “consenso científico”, a Federeca, não.

Então, fica combinado que assim os procuradores não têm que se meter de pato a ganso, acionando a Justiça para obrigar um Estado a suspender ou a iniciar o fornecimento de cloroquina, posto que há divergências sobre sua eficácia. Há, sim. E como há... controvérsias, pô!

A desculpa esfarrapada de Aras, o Imperador Subssupremo é que “as medidas buscam garantir ação mais coordenada no enfrentamento da pandemia”.

A recomendação tem sido olhada com maus olhos pelo bocado ainda livre do MPF como uma forma de intimidação, já que foi assinada e jamegada pelo corregedor, Rinaldo Reis, detentor do poder de abrir “procedimentos disciplinares” contra membros – pô, ao invés de membros, leia “integrantes” - do órgão, - ah, ao invés de “órgão”, leia organismo.

Tá, eu sei que o texto é longo e o assunto é xarope, mas estou insistindo nele, porque mostra claramente que Aras está se achando o dono da cocada preta, com as costas alargadas desde a indicação de Bolsonaro para o cargo de proprietário da PGR.

E mais revigorado Augusto Aras se sente ainda, pela visitinha casual e gentil que recebeu do próprio pai dos Filhos do Capitão, prometendo-lhe casualmente uma eventual terceira vaga no STF.

O que se pretende mostrar aqui, é o empoderamento gradual e irrestrito da PGR e o enfraquecimento sistemático e organizado da Operação Lava-Jato.

De tal forma isto está se dando que, amanhã ou depois, Augusto Aras nem vai precisar de um faustoso fim de carreira nas alcandoradas instalações do Supremo Tribunal Federal. Não demora nada, ele está mandando mais que o Bolsonaro no Palácio e do que os 11 ministreis do STF nessa democracia de gaveta. 

E por mandar, mandar assim... até que nem é nada. A tragédia maior é acabar, acabar assim, com o verdadeiro e bom combate à corrupção e aos corruptos de gravata, de toga, de mandato e colarinho branco.

Logo, logo Augusto Aras empata em simpatia com Gilmuar, Toffoliso, Levianowski, Xandão, Big-McAuréolo, Celsinho de Tatuí e outros de somenos importância. Empata em simpatia; mas ganha na marra no quesito ‘Controle Social’.

E o Ministério Público, nas mãos da PGR, saltará das páginas edificantes da Constituição-Cidadã mais do que o atual 4º Poder, mas como o Poder primus inter pares da República da Toga da Mironga.

EQUAÇÃO MÓRBIDA - Tanto quanto o STF e a PGR, assim constituídos e aparelhados, estão para a democracia, assim estão a pandemia e a Covid-13 para a atônita e aparvalhada nação brasileira.

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