9 de dez. de 2020

PONTOS A PONDERAR...

Por: Sérgio A. O. Siqueira

Porque hoje é quarta-feira / Bolsonaro e Alcolúgubre no maior apreço: / Porque hoje é quarta-feira / Em política, a busca pelo poder, não tem preço

01.

BOLSO NÃO É FRACO, NÃO

Aos poucos, aquele que não governa, vai tomando de assalto as trincheiras estratégicas das instituições que ‘estão funcionando”. Primeiro, mandou a Lava-Jato pras cucuias: botou o Aras, seu augusto mensageiro, na PGR – que manda nos promotores, procuradores e genéricos e ainda preside o Conselho Nacional do Ministério Público.

Agora, infiltrou constitucionalmente o Kássioterita na Taba das Togas da Mironga e, de ontem para hoje, já articula quem deve ocupar as bocas-ricas e empoderadas do Senado e da Câmara de Deputados.

Devagar e sempre, Bolsonaro está se aprecatando no seu bem-havido Executivo, no Judiciário e no Legislativo. Não se distraia que, de repente, o cara não é fraco, não.

02.

A CORRIDA DO OURO

E aí, de repente e não mais que de repente, e eis que senão quando, todas as vacinas estão ficando prontas e tinindo em menos de um ano. É o sinal dos tempos. A Corrida do Ouro das Vacinas está apenas começando. Segurança e eficácia ficam para depois.

03.

SOPAPOS CERTEIROS

E aí dizem que Doria e Pazuello bateram boca. Foi uma troca de desaforos virtual. Fosse ao vivo poderiam ter-se se atracado. E querem saber duma coisinha de nada?!? Eu torceria para o Pazuello. Mas, bem depois, de ambos não terem errado um sopapo sequer durante a refrega digital.

04.

O TRISTE FIM DA LAVA-JATO

Nada nem ninguém sofreu mais derrotas neste apoquentado ano de 2020 do que a Operação Lava-Jato, maior e mais eficaz movimento de combate à corrupção generalizada e à criminalidade que veste toga, gravata e colarinho branco.

A Lava-Jato foi encolhida na sua estrutura, com o desaparecimento de forças-tarefas de peso, como a de São Paulo, ou a mistureba que foi feita com a força-tarefa do Rio de Janeiro, só por exemplo.

A Lava-Jato ganhou de presente do Bolsonaro, o augusto mensageiro Aras que faz o que faz e bem entende com o Ministério Público. O pior de tudo começou com o presidente da República, sendo mais que presidente Pai dos Filhos do Capitão.

Ele – que havia tirado Sérgio Moro da Magistratura e colocado no Ministério que ele quer como de sua Justiça, mandou Moro com banha e tudo para o olho da rua da amargura.

Meses depois, acusado de "acabar" com a Lava-Jato, Bolsonaro ainda desdenhou dizendo que aquela operação não era mais necessária na esfera federal porque, com ele no Palácio não haveria mais corrupção. E ainda deu uma de bom, gabolando-se todo:

"É um orgulho, uma satisfação que eu tenho, ao dizer para essa imprensa maravilhosa nossa que eu não quero acabar com a Lava Jato, ‘eu acabei com a Lava-Jato’, porque não tem mais corrupção no governo".

E eis que, desde então, o que se vê é forças-tarefas inteiras voltadas para o perigoso crime organizado pé-de-chinelo, sem dar a mínima atenção para o crime organizado de gravata e colarinho branco.

Nunca antes na história desse país, o Congresso Nacional foi um abrigo tão aconchegante e tranquilo para os muitos mais de 300 picaretas que por lá continuam agindo por baixo e por cima dos panos.

05.

ENTREMENTES...

Na busca pelo poder a qualquer preço – noves fora os resquícios lulambentos que ainda perambulam pelas gavetas dessa democracia de gaveteiros – tá valendo de tudo um pouco.

Tanto é que Arthur Lira, ínclito líder do governo bolsonarista tem cortejado petistas a torto e direito e já andou conversando até com Zé Dirceu, o Guerrilheiro de Festim, condenado por corrupção e lavagem grossa de dinheiro, mas que anda por aí livre, leve e solto, sem sequer usar tornozeleira.

E nesse ínterim, Bolsonaro se reuniu com Alcolúgubre, para falar de amenidades como, por exemplo, influenciar na sucessão do Senado. No fundo, no fundo, é a busca pelo poder. Isso não tem preço.

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